SEMENTEIRA

Notícias colhidas de hortas urbanas e periurbanas, familiares, privadas, públicas e comunitárias

Tempurá de “peixinho” e a formiga do Atala

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Gastronomia sustentável. Anote aí, pois essa moda vai pegar. Quer luxo maior do que colher sua própria salada e acrescentar à refeição verduras e ervas recém-tiradas da horta? A valorização de ingredientes frescos e livres de pesticidas, cultivados por produtores locais e artesanais, respeitando a integração do homem com o meio ao seu redor tem levado a mudanças de comportamento que chegaram na cozinha. Lá na Horta das Corujas, a onda agora é fazer tempurá de “peixinho de horta”,  ou “lambari de folha”, popular planta ornamental de textura aveludada que, frita, fica com gostoso sabor de peixe, daí o nome.

Durante o 7o. Paladar Cozinha do Brasil, maior evento de gastronomia do país organizado pelo Estadão, chefs e pequenos produtores familiares encontraram-se para celebrar a biodiversidade brasileira, explorando cores e sabores antes desprezados pelas mesas deste país. Helena Rizzo, chef do prestigiado Maní – que acaba de integrar a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, pela revista inglesa The Restaurant -, trouxe a taioba da agrofloresta de Seo Zé Ferreira, de Paraty (RJ). Finalizou a degustação com mil folhas de lírio do vale.

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Ligia Karazawa, do Clos de Tapas,  mostrou com quantos mini-milhos roxos se faz uma pipoca genuína, daquelas de gosto caipira, incomparável sabor de milho. Quem está recuperando a espécie de milho crioulo quase extinta pela monocultura é o Alex Mattar, paulistano que há quase duas décadas cultiva orgânicos no sítio Cambará, em Aiuroca, MG. Enquanto isso, o antropólogo sueco Mark Emil, pesquisador do Nordic Food Lab, mostrava a importância das pesquisas com espécies locais e produtos nórdicos artesanais para o restaurante do chef número 1 do mundo: René Redzepi, do Noma.

O chef do DOM, Alex Atala – eleito umas das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time -, e o jornalista e ambientalista Roberto Smeraldi fecharam o evento com a mensagem de que os cozinheiros tem papel fundamental na preservação da natureza, da cultura e da gastronomia brasileiras. “Precisamos preservar a relação entre o homem e o alimento bom”, defendeu Roberto. “A cozinha pode ser uma ferramenta para manutenção da nossa biodiversidade”, completava Atala enquanto servia saúva sobre cama de abacaxi – e não é que a formiga tão popular tem gosto de gengibre com capim-limão!?

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Autor: fedanelon

Sou jornalista e fotógrafa e, após atuar como repórter e editora na MTV, TV Cultura, Band, Metro Jornal e Revista Trip, hoje trabalho de forma independente, cobrindo os temas de agroecologia e segurança alimentar. Ultimamente tenho me dedicado à implantação do Instituto Guandu, que realiza coleta sustentável, compostagem, horta urbana e ecogastronomia.

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