SEMENTEIRA

Notícias colhidas de hortas urbanas e periurbanas, familiares, privadas, públicas e comunitárias

Orgânicos na USP

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O que uma barraca de frutas e hortaliças orgânicas estava fazendo na frente da Faculdade de História e Geografia da USP? “Me chamaram e eu vim, porque acredito no produto que eu vendo”, foi logo se justificando Luciana, produtora rural de Bebedouro, no interior paulista, que resgatou a sua saúde comendo alimentos livres de agrotóxicos. O marido de Luciana é atacadista do Ceasa, comercializando convencionais. Por apostar nos orgânicos, o casal sempre reserva um espaço livre na boleia do caminhão para transportar alimentos de agricultura limpa cultivados em todo o país. Mas esta é outra história, para outro post. Quem convidou a Luciana para vender orgânicos no campus da universidade foi o coletivo ComerAtivaMente. Criado em 2007 por alunos da USP, o grupo defende o consumo coletivo de orgânicos, estuda os princípios da permacultura e criou o Seminário que aconteceu semana passada na universidade e que já apareceu neste blog, no post “Fome de quê?”. Confesso que gostei muito da ideia da universidade se livrar de seu ranço acadêmico e levar ideias e tecnologias para a vida cotidiana. Por enquanto, a discussão se limitou ao ambiente acadêmico, mas possíveis parcerias com os hortelões urbanos e as hortas comunitárias podem romper as fronteiras. Exemplo disso foi a oficina de cultivo de plantas comestíveis não-convencionais que rolou na Horta do Ciclista (av. Paulista) durante a Virada Sustentável, neste fim de semana, ministrada pela Ana Terra, da Biologia da USP.

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O conhecimento deve sair da Academia e chegar na população. Como disse o Prof. Doutor Armênio, da ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP), “os últimos 60 anos trouxeram grandes avanços tecnológicos na agricultura, que possibilitou o cultivo de monoculturas e de alimentos fora de seu ambiente natural, mas não resolveu os problemas de desnutrição no mundo, onde populações morrem de fome enquanto outras morrem de obesidade.” Por isso, Ondalva Serrano, da AAO, defendeu um caminho de construção de autonomia e sustentabilidade na agricultura familiar, com educação integrada voltada às crianças. “A ciência moderna deixou de transitar pelo todo, esqueceu-se da interdependência entre tudo e todos”, disse ela antes de completar: “Mais de 80% dos brasileiros moram em cidades atualmente, e vejam só que paradoxo: 1% da população brasileira detém 49% da riqueza nacional, enquanto 49% dos brasileiros partilham 1% da riqueza do país.”

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A taioba crescendo num canteiro de pneu sinaliza o desejo dos estudantes da universidade de resgatar o direito ao cultivo e manipulação do alimento em sua forma natural. Parece bobagem? Então atente para Jules Pretty, professor da Universidade de Essex, na Inglaterra: “O ato mais político que realizamos todos os dias é comer, pois isto afeta organizações do meio rural, do meio ambiente, do gigantesco negócio agroalimentar.”

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Autor: fedanelon

Sou jornalista e fotógrafa e, após atuar como repórter e editora na MTV, TV Cultura, Band, Metro Jornal e Revista Trip, hoje trabalho de forma independente, cobrindo os temas de agroecologia e segurança alimentar. Ultimamente tenho me dedicado à implantação do Instituto Guandu, que realiza coleta sustentável, compostagem, horta urbana e ecogastronomia.

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