SEMENTEIRA

Notícias colhidas de hortas urbanas e periurbanas, familiares, privadas, públicas e comunitárias

A Revolução Começa na Cozinha

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“A Revolução Começa na Cozinha: Comer Pode – e Deve – Ser um Ato Político!” é o título do livro que estou escrevendo. Vivemos um momento particularmente estimulante. O boca a boca digital das redes sociais encoraja e mobiliza as pessoas que, ao se conscientizar, passam a ocupar as ruas, provocando mobilização social e política. Descentralizando a informação, a internet fez as pessoas levantarem a bunda da cadeira para se manifestarem contra a desigualdade social, a violência, a fome. Enquanto a crise econômica mundial, as ameaças ao meio ambiente e à saúde do ser humano escancaram falências da nossa sociedade, especialistas de todas as áreas se unem na internet para criar soluções criativas de forma colaborativa. E vão para as ruas, mostrar que, juntas, as pessoas conseguem mudar sua realidade.

Foi num desses eventos, numa praça em meio a uma multidão animada em transformar o mundo que uma latinha de coca-cola esquecida no asfalto chamou minha atenção. Eu até gosto de tomar uma coca de vez em quando, mas não deixei de pensar que de nada adianta querermos mudar a política se não pensamos no que consumimos e comemos. E logo lembrei da minha barriga estufada depois de um bom copo de refrigerante gelado. Pensei também nas milhares de pessoas que deixam de beber água gratuita para torrar seu salário em refrigerantes e salgadinhos. Quanto do nosso salário vai para a comida? Segundo o IBGE, o brasileiro gasta, em média, 20% do seu orçamento doméstico em alimentação, percentual que aumenta na zona rural para quase 30% (veja tabela abaixo). Ou seja, praticamente um quarto do nosso dinheiro vai para a nossa comida. Não é bolinho.

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Que qualidade afinal tem o alimento que consumimos todos os dias? E quanto deixaríamos de gastar em remédios se nos preocupássemos mais com o que comemos do que com o que vestimos?

Olhar mais atentamente para o prato de comida inclui a curiosidade em saber a origem do que vamos botar na boca e para quem estamos dando o dinheiro pago pelo alimento. De onde vem a nossa comida? Quem a fabricou e de que forma? Precisamos concordar passivamente com a enorme quantidade de substâncias tóxicas, alergênicas e cancerígenas que fazem parte da indústria alimentar? Você sabia que existem 14 tipos de agrotóxicos proibidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e que continuam sendo usados na agricultura que abastece os supermercados? Sabia que dezenas de estudos e pesquisas internacionais associam o consumo de agrotóxicos a males como o câncer? Como proteger nossas crianças da obesidade, dos distúrbios de atenção, das doenças crônicas respiratórias associadas a uma alimentação inadequada?

Sair da passividade e acreditar que é possível construir uma sociedade melhor inclui repensar o próprio cardápio. Não são a indústria alimentícia e a farmacêutica pertencentes às mesmas corporações que defendem e mantém o mundo que queremos mudar? “Que o seu alimento seja o seu remédio, e que o seu remédio seja o seu alimento”, já dizia Hipócrates. Comer pode – e deve – ser um ato político! A revolução começa na cozinha.

2 pensamentos sobre “A Revolução Começa na Cozinha

  1. Parabéns Fernanda! Que belo seu “sitio” aqui. “Em se plantando tudo dá” já disse nosso primeiro correspondente internacional, Caminha. Que o colher desta “cultura” venha “de colher” para sua obra ( não é que o nosso idioma já dá um empurrãozinho na cadeia alimentar…)
    Rosana Marques Paulon

  2. lov lov lov!

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